1º DOMNGO DO ADVENTO

Marcos 13,33 – 37

Ficai de sobreaviso, vigiai; porque não sabeis quando será o tempo. Será como um homem que, partindo de uma viagem, deixa a sua casa e delega sua autoridade aos seus servos, indicando o trabalho de cada um, e manda ao porteiro que vigie. Vigiai, pois, visto que não sabeis quando o senhor da casa voltará, se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se pela manhã, para que vindo de repente, não vos encontre dormindo. O que vos digo, digo a todos: vigiai!

Comentário

Já é hora de acordar! Eis o apelo de Jesus no Evangelho que inaugura este tempo do Advento. Uma nova aurora surge no horizonte da humanidade, trazendo a esperança de um novo tempo de um mundo renovado pela força do Evangelho. Neste tempo de graça, somos convocados a sair do torpor de uma prática religiosa inócua, a acordar do sono dos nossos projetos pessoais vazios e egoístas. Despertos e vigilantes, somos convidados a abraçar o projeto de Deus que vem ao nosso encontro, na espera fecunda do Tempo do Advento, temos a chance de reanimarmos em nós e os compromissos assumidos em favor da construção do Reino, reavivando as forças adormecidas, para a construção de uma humanidade nova, livre das trevas do sofrimento, da marginalização e da morte.

Frei Sandro Roberto da Costa, OFM - Petrópolis/RJ

2º DOMINGO DO ADVENTO

Marcos 1,1 – 8

Conforme está escrito no Profeta Isaias: Eis que envio meu anjo diante de ti: Ele preparará teu caminho. Uma voz clama no deserto: Traçai o caminho do Senhor, aplainai suas veredas (Mt 3,1); Is 40,3). João Batista apareceu no deserto e pregava um batismo de conversão para a remissão dos pecados. E saiam para ir ter com ele toda a Judéia, toda Jerusalém, confessando os seus pecados. João andava vestido de pelo de carneiro e trazia um cinto de couro em volta dos rins, e alimentava-se de gafanhotos e mel Sivestre. Ele pôs-se a proclamar: “depois de mim vem outro mais poderoso do que eu, ante o qual não sou digno de me prostrar para desatar-lhe a correia do calçado. Eu vos batizei com água; ele, porém, vos batizará no Espírito Santo”.

Comentário

“Preparai o caminho do Senhor, aplainai as suas veredas”. Clamando pelo deserto, João Batista nos indica que procurar viver conforme a Boa-Nova que Jesus nos trouxe não se trata, simplesmente, de viver dentro de um sistema religioso com certas práticas que nos identificam com tais. Talvez ele queira nos indicar que a fé, antes de tudo é um percurso, uma caminhada, onde podemos encontrar momentos fáceis e difíceis, dúvidas e interrogações, avanços e retrocessos, entusiasmo e disposição, mas também cansaço e fadiga. No entanto, o mais importante é que nunca deixemos de caminhar, pois o caminho se faz caminhando. Boa caminhada de Advento e preparação!

Frei Diego Atalino de Melo

Mostrando postagens com marcador NOSSA SENHORA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador NOSSA SENHORA. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 11 de junho de 2019

18. MARIA, ÍCONE DA RESSURREIÇÃO




Maria, Ícone da Ressurreição!


 A reflexão do Papa na Audiência geral de quarta-feira, (23/03/2016), foi sobre o Tríduo Pascal no Jubileu da Misericórdia. Momentos fortes que “nos permitem entrar sempre mais no grande mistério da nossa fé: a Ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo”, disse Francisco.


“O Mistério que veneramos nesta Semana Santa é uma grande história de amor que não conhece obstáculos”, reiterou o Pontífice. 


Provações

“A Paixão de Jesus dura até o fim do mundo, porque é uma história de partilha com os sofrimentos de toda humanidade e uma permanente presença nos acontecimentos da vida pessoal de cada um de nós. Em síntese, o Tríduo Pascal é o memorial de um drama de amor que nos dá a certeza de que nunca seremos abandonados nas provas da vida”.

Ao recordar que na Quinta-feira Santa Jesus institui a Eucaristia, antecipando na última ceia o seu sacrifício no Gólgota, o Papa disse que a “Eucaristia é amor que se faz serviço. É a presença sublime de Cristo que deseja alimentar cada um de nós, sobretudo os mais necessitados”:

Tríduo

“Não somente. No doar-se a nós como alimento, Jesus atesta que devemos aprender a dividir com os outros este nutrimento para que se transforme em uma verdadeira comunhão de vida com os mais necessitados. Ele doa-se a nós e nos pede que permaneçamos n’Ele para fazer o mesmo”, destacou Francisco.

O Papa descreveu a Sexta-feira Santa como o momento culminante do amor que abraça a todos sem excluir ninguém. “A morte de Jesus, que na cruz se abandona ao Pai para oferecer salvação ao mundo inteiro, exprime o amor doado até o fim, sem fim”: “Se Deus nos demonstrou seu amor supremo na morte de Jesus, então também nós, regenerados pelo Espírito Santo, podemos e devemos amar uns aos outros”, disse o Pontífice.

O silêncio de espera de Nossa Senhora

O Sábado Santo é o dia do silêncio de Deus, quando “Deus se cala, por amor”: “Deve ser um dia de silêncio. Devemos fazer de tudo para que para nós seja um dia de silêncio como foi naquele tempo, o dia do silêncio de Deus”, reforçou o Papa.

“No Sábado Santo, nos fará bem pensar ao silêncio de Nossa Senhora, a crente que, em silêncio, esperava pela Ressurreição. Nossa Senhora deverá ser o ícone daquele Sábado Santo. Pensar tanto em como Nossa Senhora viveu aquele Sábado Santo, esperando...”.

Para viver este silêncio durante o grande mistério de amor e de misericórdia, Francisco citou a experiência de uma jovem pouco conhecida, Juliana de Norwich, que teve uma visão da paixão de Cristo na qual Jesus afirmou que, se pudesse, teria sofrido ainda mais por ela:
“Este é o nosso Jesus, que diz a cada um de nós: se pudesse sofrer mais por você, o faria”, concluiu o Papa. (rb)


terça-feira, 18 de setembro de 2018

17. SALVE RAINHA, ORAÇÃO DA ESPERANÇA









SALVE RAINHA


Salve Rainha, Mãe de Misericórdia

vida, doçura, esperança nossa, salve.

A Vós bradamos os degredados filhos de Eva.

A Vós suspiramos, gemendo e chorando

neste vale de lágrimas.

Eia, pois, advogada nossa, esses vossos olhos

misericordiosos a nós volvei.

E, depois deste desterro, mostrai-nos Jesus,

bendito fruto do vosso ventre.

Ó, clemente, ó piedosa, ó doce sempre

Virgem Maria.

Rogai por nós santa Mãe de Deus,

para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Amém.

<><><><>

SALVE RAINHA - Em latim: SALVE REGINA
Oração da Esperança

"Assim como no céu há muitas moradas, assim existem muitos caminhos que levam até Ia."  Santa Teresa dÁvlla.

Duas mulheres em tempos diferentes da peregrinação humana na Terra, foram capazes cada uma a seu tempo, mudar a nossa trajetória: Eva e Maria.

EVA: mulher virgem, imaculada (o pecado ainda não tinha entrado no mundo), noiva de Adão, recebe a visita de um "anjo" disfarçado de serpente, cujo nome era Satã. Ela obedeceu ao anjo e desobedeceu a Deus e com isso, entrou no mundo a perdição.

MARIA: muitos séculos depois, outra Mulher Virgem, Imaculada, Noiva (de José), recebe a visita de um Anjo de nome Gabriel, vindo da parte de Deus que lhe faz um convite. Maria aceita o convite de Deus e por ela a Salvação entrou no mundo.

A Oração da "Salve Rainha", foi composta por volta de 1050, pelo Monge Hermannus Contractus e quase 100 anos depois, São Bernardo, chamado "cantor da Virgem Maria", se apresentava cantando esta oração numa Catedral, quando, ao final do canto, depois de um longo silêncio, como saindo de um êxtase, gritou a seguinte frase: "Ó Clemente, ó Piedosa, Doce e sempre Virgem Maria". Daí em diante passou a fazer parte da oração.

SALVE RAINHA: Nossa Senhora foi Coroada Rainha do Céu. O Papa Pio XII, na encíclica " Ad Caeli Reginam" (Rainha do Céu), de 11 de outubro de 1954, recebe o título de Rainha do Céu, porque seu filho Jesus é o Rei de Israel e o Rei do Universo. Essa crença é professada desde os primeiros séculos da era Cristã.

MÃE DE MISERICÓRDIA: Nossa Senhora se compadece de todas as nossas misérias.

VIDA: Toda mãe é Vida.

DOÇURA: Experimentar um alimento doce é um alivio. Maria é esse alivio.

ESPERANÇA NOSSA SALVE: na parte que diz: "a Vós bradamos os degredados filhos de Eva. A Vós suspiramos, gemendo e chorando nesse vale de lágrimas". Degredado significa exilado, tirado de sua terra natal, e vale de lágrimas é no que se transformou o nosso mundo.

ÉlA, POIS, ADVOGADA NOSSA, ESSES VOSSOS OLHOS MISERICORDIOSOS A NÓS VOLVEI:  Aqui, como aquela criança que chora no berço, confiando plenamente na Mãe, pedimos a Maria que seja nossa mediadora.

E DEPOIS DESTE DESTERRO, MOSTRAI-NOS JESUS, BENDITO FRUTO DO VOSSO VENTRE:  desterro significa exílio e aqui a consciência de que não estamos na Nossa Pátria, no Nosso Mundo, no mundo perfeito. Maria, depois da nossa jornada irá nos mostrar Jesus, que é nossa felicidade.

Ó CLEMENTE, Ó PIEDOSA, Ó DOCE SEMPRE VIRGEM MARIA: A bondade e a piedade de Maria, nos colocarão, no Reino do Cristo.

ROGAI POR NÓS SANTA MÃE DE DEUS, PARA QUE SEJAMOS DIGNOS DAS PROMESSAS DE CRISTO.
AMÉM     Amem!

Fontes: Glorias de Maria - Santo Afonso de Ligório - Os Grandes Santos - Escritos do Padre Paulo Ricardo - 
Canção Nova. SP. 25.09.2016

<><><><><><>







quarta-feira, 12 de setembro de 2018

16. MENSAGEM DE NOSSA SENHORA DE FÁTIMA .






MENSAGEM DE NOSSA SENHORA DE FÁTIMA

Tomamos a liberdade de submeter à apreciação de vosso elevado critério, como fiéis zeladores do maravilhoso tesouro de OZANAM, que é "A Sociedade de São Vicente de Paulo", o seguinte:

Cumpre-nos, inicialmente, frisar bem que a mensagem que Nossa Senhora de Fátima nos enviou, por intermédio da vidente Lúcia, nada tem que ver com a nossa querida Sociedade. Só a atenderão aqueles que desejarem alcançar as graças que Nossa Senhora prometeu aos que a praticassem.

Conforme já será de vosso conhecimento: "Surgiu, no sul da França no século XIII certa seita de hereges, propagadora de doutrinas perniciosíssimas e extremamente cruéis.

Infelizmente, depressa aumentou o número dos seus adeptos cuja violência se manifestava pelo incêndio de Igrejas, pelo saque de cidades e pelo assassínio de gente pacífica, só porque recusava aceitar os seus vis ensinamentos.Pouco a pouco, atraíram a si homens de grande influência. O Papa enviou vários Santos Missionários para tentar convertê-los. Os Reis enviaram contra eles os seus exércitos, mas sem resultado. Eram tais os excessos por eles praticados, que mais pareciam demônios saídos do inferno do que homens. 

Foi, então, que São Domingos fez a sua aparição. Mas, por mais Santo que fosse, nem ele conseguiu comovê-los. Estavam tão endurecidos que a nada se moviam. Em suas dificuldades, este grande Servo de Deus costumava sempre pedir auxilio a Nossa Senhora. Dizem  as maiores autoridades - entre elas Santo
Antônio - que São Domingos teve em vida  nada  menos de  mil visões de Nossa
Senhora. Ele mesmo confessou que a Virgem Santíssima nunca recusara escutá-lo.

A Maria, pois, recorreu o Santo com confiança ilimitada e, em resposta à sua oração, Ela deu-lhe o rosário como arma pela qual ele haveria de conseguir as mais extraordinárias vitórias sobre o mal. 

Com o seu auxílio, Domingos converteu, num espaço de tempo incrivelmente breve, cem mil hereges, e tão eficientemente que muitos dos convertidos se tornaram eminentes na santidade. Foi  esta primeira grande vitória do "rosário".

O Imaculado Coração de Maria, assim como se deu no século XIII, no sul da França, consternado verificou que também no século XX surgiram milhares de legiões espalhadas por grande número de países, e cujo ideal é alastrarem-se quase idênticos, atraídos por falsas ideologias, e que seriamos impotentes para dominá-las. Houve por bem Nossa Senhora, assim condoída de nossas misérias, descer à terra. E, por toda a superfície dela, onde a história se vai repetindo, e erros e heresias vão sendo disseminados, espalhando por toda a parte e lugares, Ela nos ensina como devemos nos defender delas.

"A 13 de Maio de 1917, três pastorinhas  rezavam  o  terço  na  Cova da Iria. De repente foram surpreendidos  por  forte relâmpago. Em seguida, verificaram um
maravilhoso clarão e viram que nos raios  do  sol  descia uma visão mais linda e
brilhante do que o sol. Essa visão,  candida e meiga, era justamente a de Nossa
Senhora de Fátima". A Santíssima Virgem trazia a sua Excelsa mensagem celestial. De suas mãos pendia lindo Terço. Inicialmente, Ela confiou alguns segredos aos videntes e, depois, explicou-lhe os pontos essenciais da mensagem, a ser-nos transmitida e que são os seguintes:
  •  Deveremos fazer penitência, rezar o Terço diariamente e fazer a devoção dos primeiros sábados de 5 meses seguidos. 
"Na terceira aparição, Nossa Senhora insistiu para que rezassem o Terço todos os dias e respondeu à Lúcia, a qual era  intérprete  de  diversos pedidos de graças,  que todos seriam atendidos com a condição de serem fiéis à recitação do Terço diário".

Desde que  Nossa  Senhora  atendeu  aos  pedidos  de graças pela vidente Irmã
Lúcia, afigura-se-nos que também não se recusará a atender aos pedidos que lhe fizermos, mormente durante este Ano Mariano, pela beatificação daquele que ela assinalou, retirando-o deste vale-de-lágrimas justamente no dia da sua Natividade: O seu amado servo, Frederico Ozanam. Atenderá também a outras necessidades, desde que não nos esqueçamos de rezar o Terço todos os dias.

Assim como no século XIII  não  foi possível dominar tão grande legião de hereges somente por meio de combates, nem por meio de quaisquer outras orações, afigura-se-nos que o mesmo acontecerá em nosso século; será preciso cerrarmos fileiras, isto é, atendermos aos apelos que Nossa Senhora de Fátima nos fez por intermédio da vidente Lúcia.

Assim sendo, mais uma vez os Conselhos Superior, no Brasil, e Metropolitano e Arquidiocesano de São Paulo, pela piedosa sugestão de zeloso confrade devoto de Nossa Senhora de Fátima rogam, a todos os que puderem incrementar a referida mensagem, que a divulguem com Santo entusiasmo. Eis que em poucos anos estará conquistado o mundo cristão e é, talvez, a única alternativa que nos resta neste tempo difícil para a humanidade. Pode ser que a escolha seja entre guerras tremendas, com perseguições e misérias, ou então atender à Mensagem que Nossa Senhora dirigiu à humanidade mediante os três pequenos videntes de Fátima.

"Ao tempo do imperador Constantino, apareceu ao exército a Bandeira da Cruz, com estas palavras: "Neste sinal vencerás". Em nosso tempo, a Mensagem de Fátima é o sinal luminoso. Por conseguinte, essa mensagem celestial é o remédio mais acertado para curar-nos. E' ela a mais poderosa de todas as armas.  Usai-a  e dela  fazei   propaganda.  Pois,  se  vós  não   pedirdes, não recebereis; se não buscardes, não achareis; se não chamardes, não se abrirá..."

Caríssimos Vicentinos, não vos esqueçais de que "infelizes só serão os desa-lentados e felizes só serão aqueles que se puderem reconfortar à sombra da própria cruz.

Pela atenção que dispensardes à presente mensagem, Nossa Senhora de Fá-tima vos pagará o centuplo. 

SALVE MARIA!

Devemos fazer penitência afim-de-que uma nova aurora ressurja em nossa vida, para "olvidar o velho homem que, pelos merecimentos infinitos de Nosso Senhor Jesus Cristo, da lei da morte se libertou". Possamos receber a comunicação dessa nova aurora, mediante nossa ressurreição obtida pelo extermínio do pecado, vencido na recepção dos augustos Sacramentos da Penitência e da Eucaristia".

Após a meditação dos mistérios, no fim de cada dezena, diga-se: Oh! meu Jesus - perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas todas para o céu e socorrei principalmente as que mais precisarem. (N.S.F.-13-7-1917).

Devoção dos primeiros Sábados de cinco meses seguidos

ORIGEM: Foi a Santíssima Virgem que em nossos dias se dignou ensinar--nos a prática desta devoção.

FIM: O seu fim é desagravar o Imaculado Coração de Maria das ofensas e dos ultrajes de que é objeto por parte dos homens ingratos.

EM QUE CONSISTE: Em confessar-se e comungar, rezar o terço e meditar durante um quarto de hora os mistérios do Rosário.

A confissão pode fazer-se dentro dos oito dias que precedem o primeiro sábado de cada mês, ou nos oito dias seguintes, contanto que a sagrada comunhão se receba em graça. Quem, por acaso, se esquecesse de formar a intenção de desagravar o Coração Imaculado de Maria, poderia formá-la na confissão seguinte, aproveitando a primeira ocasião de se confessar.

A meditação compreende um ou mais mistérios do Rosário; pode até compreende-los todos, em conjunto ou em particular, segundo o gosto e a devoção  de cada um; mas é preferível meditar um, cada mês, como faz a própria Irmã Lúcia. 

GRAÇAS PROMETIDAS: A quem praticar a devoção dos primeiros sábados, promete Nossa Senhora as graças necessárias para a salvação. Tudo isso se encontra expresso nas seguintes palavras da Santíssima Virgem a uma alma religiosa:

"Vê, minha filha, o meu coração cercado de espinhos que os homens ingratos a todos os momentos me cravam com blasfêmias e ingratidões.
Tu, ao menos, procura consolar-me e dizer que prometo assistir na hora da morte, com as graças necessárias para a salvação, a todos os que nos primeiros sábados de cinco meses seguidos se confessarem, receberem a Sagrada Comunhão, rezarem um terço e me fizerem companhia durante quinze minutos, meditando nos quinze mistérios do Rosário com o fim de me desagravar".

O que segue foi extraído de um documento autêntico, escrito em terceira pessoa, ao Diretor Espiritual pela Vidente de Fátima.

"Em 1917, ela pediu para os levar para o céu e a Santíssima Virgem respondeu:
"Sim, a Jacinta e o Francisco levo-os em breve, mas tu ficas aqui mais algum tempo; Jesus quer servir-se de ti para me fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração; e quem a abraçar prometo a salvação e serão queridas de Deus estas almas como flores postas por mim a adorar o seu trono".

Excertos de três cartas de Lúcia (Maria Lúcia de Jesus) a seu antigo Diretor Espiritual):

A 19-03-1939: "Da prática desta devoção unida à consagração ao Imaculado Coração de Maria, depende a guerra ou a paz no mundo; por isso eu desejo tanto a sua propagação, e sobretudo por ser essa vontade do nosso Bom Jesus e da nossa tão querida Mãe do Céu".

A 20-04-1939: "Nossa Senhora prometeu adiar para mais tarde o flagelo da guerra, se for propagada e praticada esta devoção. Vemos-la afastando este castigo à maneira que se vão fazendo esforços para a propagar; mas eu tenho medo que nós possamos fazer mais do que fazemos, e que Deus, pouco contente, levante o braço da sua Misericórdia e deixe o mundo assolar-se com esse castigo, que será como nunca houve. Horrível! Horrível!"

Em 1941 - "Se é que na união da minha alma com Deus não sou enganada, Nosso Senhor, em atenção à consagração que os Senhores e Reverendos Prelados portugueses fizeram da Nação ao Imaculado Coração de Maria, promete uma proteção especial à Nossa Pátria durante esta guerra e que esta proteção será a prova das graças que concederia às outras nações se como ela lhe tivessem sido consagradas".

ATO DE DESAGRAVO AO IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA

(Para ser recitado no primeiro sábado de cada mês)

Virgem Santíssima e Mãe Nossa querida, tendo mostrado um dia a vossa serva o Vosso Coração cercado de espinhos que os homens ingratos a todos os momentos Vos cravam com blasfêmias e ingratidões, pedistes quem Vos consolasse.

Como filhos Vossos, Vos queremos honrar, amar e consolar sempre; mas hoje especialmente, ao ouvir as Vossas amargas queixas, desejamos desagravar o Vosso Maternal coração que a impiedade dos homens nestes desgraçados dias ainda fere com a dura espada de Vossas dores.

O Vosso Jesus ainda é hoje tido por malfeitor e condenado e morto; ainda é despojado dos seus vestidos, cuspido, flagelado e posto numa Cruz.

E a Vós Virgem dolorosíssima, como digna mãe de Jesus, também tratam com a mesma ingratidão.

Não querem que sejais Mãe de Deus, senão de um simples homem; zombam da vossa incomparável dignidade e de tudo o que é Vosso. E, o que Vós mais sentis muitos dos mesmos cristãos não Vos estimam nem amam como filhos.


Virgem Santíssima, movidos pelos ardentes desejos de amar-Vos como Mãe e promover uma terna devoção ao Vosso Imaculado Coração, tão trespassado de dor, aqui nos prostramos a Vossos pés para Vos mostrar a pena que sentimos pela dor que os homens Vos causam e para repararmos com os nossos obséquios e afetos tantos pecados com que os Vossos filhos ingratos pagam as finezas do Vosso amor.

Perdoai-lhes, Senhora, a eles e perdoai-nos a nós todos que, se Vós per-
doardes, também Jesus nos perdoará.

Convertei ao Vosso amor tantos infelizes, que cegamente vivem no erro; e, em especial, lançai os olhos de Mãe de Misericórdia, para nós, Vossos filhos, que queremos amar-Vos na terra cada vez mais, sendo fiéis discípulos de Jesus com a vida verdadeiramente cristã, afim de Vos contemplar nas suaves delícias do céu; e, para isso alcançar, lançai-nos a vossa bênção junta com a do vosso Jesus. Assim seja. (Rezar 7 Ave Marias).

                                                                 Cfd. Armindo Vicente Coelho

¹) Artigo publicado na Circular Periódica do Conselho Metropolitano de São Paulo, por ocasião do 1º CENTENÁRIO DA PROCLAMAÇÃO DO DOGMA DA IMACULADA CONCEIÇÃO!
1854 - 1954.



                                                                             

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

15. A IMACULADA CONCEIÇÃO E A ASSISTÊNCIA SOCIAL










A IMACULADA CONCEIÇÃO E A ASSISTÊNCIA SOCIAL


Existe na língua portuguesa uma palavra pequenina que, apesar de se constituir de apenas três letras, traduz o que o homem possui na sua vida terrena, de mais grandioso, de mais nobre e de mais divino.

A lembrança desse nome tão pequenino desperta em nossos corações sentimentos os mais puros e os mais profundos. Sentimentos de emoção e de felicidade. Sentimento de gratidão e de saudades.

E esta palavra, que muitas e muitas vezes os homens, com a alma de joelho pronunciam com ternura e devoção, é MÃE: pedaço do paraíso por sobre a terra, presente de Deus às criaturas. MÃE, dizem os homens de todas as idades, invocando nas suas dores e sofrimentos aquela que um dia lhe deu o ser. MÃE, dizem os cristãos nas grandes crises do espírito, pedindo e implorando em linguagem dorida e lacrimosa, amparo e proteção.

A relação do filho para com a sua mãe é, no gênero humano, algo de substancial e necessário. Para o cristão e para o vicentino que se dedica às obras de Assistência Social, é um atributo essencial na vida, sua devoção à Mãe Santíssima e à Imaculada Conceição.

Foi, por certo, compreendendo essa grande verdade que, sob o manto maternal da Virgem, se acolheram os grandes iluminados pela Igreja Católica, São Vicente de Paulo - o patrono de todas as obras de Assistência Social que existem e florescem por sobre a terra à sombra do evangelho, e ANTÔNIO FREDERICO OZANAM - o fundador das Conferências Vicentinas, esta instituição tão simples, como simples é a caridade, que se espalha pelo mundo para praticar o bem, buscando antes de tudo a santificação de seus membros. 

A proteção da Excelsa Mãe de Deus sempre se manifestou de maneira eloquente para com a Sociedade de São Vicente de Paulo, muitos séculos antes de sua fundação. Já nos seus mais tenros anos, Vicente de Paulo sentia nos refolhos d'alma a voz misteriosa da Virgem Santíssima que o convocava para ser o grande benfeitor da humanidade sofredora. Era ainda criança e já aparece no seio da família, qual santuário doméstico, como filho dileto e carinhoso de Maria. Todas as manhãs, Vicente de Paulo, aquela criança pobre que desde pequeno aprendera, por necessidade a lutar para ganhar o pão de cada dia, antes de partir para pastorear as ovelhas de seu pai, ajoelhava-se diante de uma pequenina imagem da Imaculada Conceição que ele mesmo entronizara no tronco de um velho carvalho, em nicho preparado pelas: suas próprias mãos, para implorar as suas bênçãos e proteção. Depois da oração matinal, em contacto com a natureza, Vicente de Paulo partia para o trabalho, levando n'alma os influxos sublimes de fôrça sobrenatural que o levaria mais tarde às alturas luminosas da graça santificante. Eram os primeiros lampejos da sua vocação para o apostolado do bem e da verdade. Era o prenúncio do grande discípulo da Imaculada Conceição que deveria assombrar o século em que viveu. E o menino apóstolo, sob o influxo do amor filial, formou o seu coração, qual anel de ouro, onde Deus encastoara, como diamante do Céu, o amor à excelsa Rainha do Céu, da terra e do mar. Eram os golpes da graça a acutilá-lo. As culminâncias da santidade não se alcançam jamais de  um   só  voo d'alma. São  passos  lentos,  dolorosos,  constantes,  os 
que costumam  dar que  pretendem  dominar  os  cimos  da virtude e se
entrincheirar ali de modo e inexpugnável. A visão dos santos no esplendor da glória é sempre admirável. Mas é de mais proveito para o espírito a análise dos meios pelos quais se atinge a própria glória. Já o universo no fundo do espaço se abre como imensa Bíblia, onde os astros escrevem com letras de ouro o nome de Maria. 

Leitor assíduo desse grande livro da natureza deve ser o homem, supremo Rei da criação, que do trono da terra estende o seu reinado por todo o mundo. Se todo o coração sensível, se toda a alma que sabe sentir as maravilhas do universo, não pode deixar de amar a natureza, eis que ela é a síntese mais perfeita de todas as artes: arquitetura -- escultura - pintura .- música e poesia, que tem por autor DEUS, gênio incomparável artista extraordinário, que gravou indelevelmente nos homens, todas as formas do pensamento.

A esmola é preceito dos livros santos. O seu valor é por isso mesmo inestimável. Quando atendemos de boa vontade, com espírito cristão, a um pobre, praticamos a verdadeira esmola; se o socorremos, mas não de coração, exercitamos a simples esmola; se, porém, o auxiliarmos com manifesto desamor, deixamos de exercer a esmola, mesmo imperfeita, porquanto ela mais se caracteriza por ato de sensibilidade que se transforma em comiseração e grandeza d'alma. A primeira é a esmola sincera que infunde satisfação ao pobre - é acompanhada de um gesto, de uma palavra ou de olhar compassivo. A segunda é inexpressi-va, e a ela o pobre agradece simplesmente; o esmoler procura livrar-se do esmolado sem lhe prestar maior atenção; a terceira escandaliza o pobre, amargurando o benefício verifica-se quando à esmola se segue um ato descaridoso de quem a deu.


"Fazer o bem de má vontade, não é na realidade fazer o bem", diz Santo
Agostinho.

Alves Mendes, o grande orador português, exaltou a caridade, comparando-a à realeza mais adorável da terra e à joia mais benquista de Deus: 
"Porque a caridade é assim. Ela não se revela apenas numa generosa ação simpática, no pão material, numa moeda qualquer, num dom; manifesta-se e traduz em todo o auxilio moral, no bom verbo e no porte, na prece, no carinho, num simples gesto, num sorriso, numa lágrima. Forte como diamante, atraente como o ímã, modesta como a violeta, meiga como a pomba, ela penetra e enleia e perfuma e abrandece os ânimos mais rudes e os desamparos mais duros. Sempre maviosa e humilde, sempre benigna e prolifera, sempre tolerante e paciente, sempre nascente e recrescente, infatigável até a heroicidade e heroica até o martírio, ela voa através dos mares da opulência, prevenindo-lhe as voragens, rompe através das sarças da pobreza, despontando-lhe os espinhos. Prova-se, prima-se, guia-se, desnuda-se, desentranha-se, sacrifica-se, ri e chora; perdoa e cala, implora e canta; vai ao cárcere, ao hospital, ao asilo, ao albergue, à escola, à oficina, à creche, aos recessos do tugúrio e aos campos da batalha, ao perto, e ao
longe, e alenta e acaricia e cura e dá - dá do muito e dá do pouco, dá tudo quanto tem; faz tudo para todos, para salvar a todos". 

E Vicente de Paulo observa que, é na caridade que se encontra o paraíso da terra assim como o do Céu.

Cumpre não esquecer: pedir, importa sempre em algum sacrifício. Lembremo-nos da verdade proferida pelo grande Padre Vieira: "A palavra mais dura de pronunciar e que para sair da boca uma vez se engole e afoga é "PEÇO". Por isso, quem pode dar, seja generoso e não espere pela insistência da rogativa. A felicidade consiste em dar. Ditosos os que sabem dar, pois Deus, na sua infinita sabedoria julga como se dá e não o que se dá.

São Vicente de Paulo -   o Santo da Caridade  -   nos ensina  que,    todos
aqueles que se dedicam ao trabalho espinhoso e divino, nobre e patriótico de servir o pobre, através das Obras de Assistência Social, que, antes de visitá-lo, se prostrem diante do Altíssimo para reanimar e fortalecer o espírito de fé e de sacrifício. Para socorrer os desvalidos é preciso revestir-se de paciência, de ternura e de docilidade.

Diante do quadro doloroso e profundamente desolador que se apresentar ante nossos olhos, no século estonteante em que vivemos, é imprescindível e necessário que os vicentinos que queiram seguir os ensinamentos da fraternidade humana, deixados pelo patrono São Vicente de Paulo, e, praticados em toda a sua pujança por Frederico Ozanam, busquem sempre e antes de tudo, na proteção e no amparo da Imaculada Conceição, fôrça, coragem, paciência, energia e tolerância, para bem cumprir a sua missão de apóstolos da caridade.

Para alcançar   um mundo   melhor e   bem   servir  à  sagrada causa de 
proteção ao pobre, é sumamente reconfortante para os vicentinos que se dedicam às Obras de Assistência Social, agasalhar-se sempre sob o manto azul e maternal da Imaculada Conceição, excelsa Rainha e protetora da Sociedade de São Vicente de Paulo. Sob as bênçãos da Virgem Santíssima, as instituições beneficentes que se alicerçam sob o sentimento do amor e da fraternidade humana, nascem e florescem por sobre a terra, alcançarão o seu grande e nobre ideal .-

                                                                            Cfd. Antônio Luiz Traina




Artigo publicado na Circular Periódica do Conselho Metropolitano de São Paulo, por ocasião do 1º CENTENÁRIO DA PROCLAMAÇÃO DO DOGMA DA IMACULADA CONCEIÇÃO!
1854 - 1954.



sábado, 25 de agosto de 2018

14. A VIRGEM MARIA NA VIDA DE OZANAM


A VIRGEM MARIA NA VIDA DE OZANAM


























"Homens, homens de alma imortal, mas homens 
de carne e de sangue, nossa vida toda consiste,  
conscientemente ou não, na procura apaixonada 
da beleza e do amor".




LOUIS CHAIGNE, em seu livro primoroso sobre "A Vida de Maria", estabelece essas primícias sobre as quais vai, na suavidade de sua dissertação e na sublimidade de seus conceitos, erguendo um hino de glória à Virgem Maria.Se analisarmos o íntimo de nós mesmos, nas profundezas  dos segredos  de  nosso ser, sem  preconceitos  que  deturpem a clareza  de nosso ser, sem  preconceitos que deturpem a clareza de nosso raciocínio, nem subtilezas que procurem toldar a limpidez da mente, clara se nos depara toda  a  acuidade e profundeza do conceito de quem com tanta delicadeza  acercou-se  da vida de Maria, ainda que muito de humano pareça talvez colocar na base  de suas reflexões sobre Aquela que do humano tanto se distanciou pelo cunho divino que lhe foi impresso.

E nesse exame, feito no silêncio de nossa consciência, quando penetrando a sós em nós mesmos  nos  descobrimos  tal  como  somos,  sem preocupação de nos mostrarmos sob prisma diverso da nossa própria realidade, o que encontramos? Não é o encanto do que é belo que nos fascina?  Não  é  a beleza  que amamos? Mesmo que, toldado pela maldade, se afaste do belo o que amamos, é sempre o que supomos pleno de beleza aquilo a que se nos prende o coração, aquilo que o seduz e o arrasta com fôrça incoercível, superior mesmo aos ditames da vontade.


A beleza  sob  todas  as  suas formas, foi e  será  sempre  o  imã que atrai o ser humano e que o torna o seu eterno enamorado.

A obra divina que é o mundo, pelo que encerra de grandioso e belo, prendeu em sua teia recamada de maravilhas  o  olhar  eternamente atônito da humanidade: o azul do céu, que se afigura infinito, a contrastar  com o verde oscilante do mar que beija, sem se esfalfar de lhe prodigalizar carícias, a areia alva das praias e o cinzento dos penhascos. E quando no firmamento se poem a brilhar miríades de estrelas, no cintilar de sua beleza, não se sente a mirá-las embevecido o olhar humano?

E o homem, à imitação do Criador, põe-se a criar também o que se lhe afigura concretizar o belo: os grandes monumentos que ornam nossas cidades, os templos que as enriquecem, as pinturas que hes realçam os encantos. E a magia da música que embala os ouvidos e que nas catedrais ressoa, erguendo da terra aqueles que em suas lages se prosternam? O olhar meigo e límpido do ser pequenino que o volve para nós, o encanto que dimana daquela que Deus criou para ser o complemento da vida humana na terra, a fôrça que é o apanágio do homem, a inteligência que desponta desse arcabouço, maravilha da criação, que é o cérebro humano, tudo isso é um sonho de beleza em que se compraz o homem e que ele ama viver.

Ozanam foi um amante do belo e, pela beleza, de tanto amá-la, lutou desde os primórdios de sua vida, e essa mesma sacrificou por tão nobre ideal.

Achava bela a ciência, e a ela se entregou com amor, reservando-lhe as horas do dia e muitas que pela noite se alongavam.

Bela se lhe afigurava a virtude e por ela sacrificou o ardor de sua juventude; e, sem um momento de desfalecimento até seus últimos dias, por ela pautou a vida, vida que hoje ainda perdura no coração daqueles que lhe procuram seguir a trajetória luminosa deixada na terra a mostrar aos pósteros como se caminha para atingir o Céu.

Para ele era belo esse sentido que irmana as almas: a amizade. Que car-
tas lindas escreveu aos que lhe achavam unidos pelas fibras do coração! E como os sabia agrupar em torno de si para que juntos amorosamente galgassem a senda áspera, por vezes, da virtude! A igreja, pela sua sublimidade e beleza o atraía com irresistível enlevo. E ele a amou e por ela se bateu com incoercível denodo, não permitindo que a irreverência a apoucasse, que teorias menos ortodoxas a mandassem, pesquisando no passado, com paciente labor, tudo quanto a pudesse engradecer no presente.

E nos pobres, cobertos de andrajos, foi a beleza de Cristo que êle soube
descobrir. Amando os pobres, amava a seu Deus. Era a forma humana de demonstrar ao Cristo, incarnação da própria beleza, que ele O amava. Ele via nesses seres, que o mundo relegava e a miséria amesquinhava, uma beleza que se encobria sob a aparência triste e sórdida dos seus corpos: a beleza de uma alma que Deus criara para Si e que destinara a tornar ainda mais belo o encanto do Paraíso.

Tão grande foi o amor que, em consequência, dedicou ao pobre que se não contentou em a eles somente consagrar-se. Chamou, empolgou um grupo de jovens, para que com ele cooperassem na obra de reerguer esses corpos sofredores para que neles melhor pudesse brilhar a beleza de suas almas. E tal foi o ardor com que lançou sua ideia de bondade que até hoje sua obra, ao envés de morrer, pelo mundo todo se alarga e se expande, impulsionada pela fôrça desse ideal que foi a maior ambição de sua vida.

Beleza e amor! Algo que empolga o olhar, que desperta o sentimento e encadeia o coração! Ozanam amou o que era belo. E uma criatura, que pela terra passou no desempenho da mais sublime das Missões, seduziu seu coração. Era bela: "Tota pulchra es! Seu nome? Maria".

Ora a chamam de "Virgem Maria", ora a humanidade dela em pensamento se acerca, denominando-a "Imaculada Conceição". E ainda a Rainha do Céu, a Estrela cio Mar, a Mãe dos Homens, o Refúgio dos Pecadores, a Consolador a dos Aflitos. Tudo quanto de carinhoso lhe pudesse ser atribuído, consagrou-lhe o amor dos que se orgulham de por ela se haverem irmanado ao Cristo.
Beato Papa Pio IX

Revestia-se de incomparável beleza a alma dessa virgem. Mancha alguma de pecado a manchou, nem mesmo aquela original, herança terrível de quantos vêm à luz na terra.

Ela foi imaculada em sua concepção, e ao grande Papa Pio IX coube a honra insigne de proclamar, como dogma de fé, o que séculos de crença e multidão de súplicas reclamavam, no anseio mais nobre que pulsou no coração ela humanidade.
  
                                                    
Et macula originalis non est in te!  
                               
De todo o seu ser irradiava o mistério divino que nela iria formar o tabernáculo em que repousaria, até seu nascimento, o Cristo prometido e que o mundo aguardava.

Tudo nesse ente privilegiado era um desdobrar de milagres. Ana, sua mãe. bendita, já não mais podia supôr, ante a ordem da natureza, que daria ao mundo um novo ser, nem dela se aproximaria seu santo esposo, não o levasse a tanto a ordem expressa de um celeste mensageiro.

É ainda "A Vida de Maria" que nos descreve, em tons de infinita doçura,
falando da virgem pequenina:

"O encanto ela pureza de seus sonhos, seu respirar apenas perceptível,  sob a guarda constante dos anjos e, por momentos, do olhar ansioso e atento de Ana, sua mãe. O encanto do seu despertar matinal desses olhos pequeninos que se abrem e veem cada dia um mundo novo, desses  sorrisos francos e confiantes, dessas mãozinhas  que se agitam com uma tocante incerteza, desses pés pequeninos que ora se agitam ou se encolhem sob a coberta". E depois ... "os passos que se ensaiam, as primeiras sílabas articuladas, os beijos inocentes que se trocam, as carícias que se dão e se recebem". E ... um pouco mais tarde, "a descoberta das flores e a magia das noites da Palestina, os céus recamados de estrelas, estrelas que refletem essa filha dos homens cintilante de luz e de graça. E o encanto das primeiras preces, dos primeiros gestos de um culto todo feito de espontaneidade".

Maria caminha em idade. Já é uma jovem. "E essa criança ignorada tudo
sabe, possuindo a integridade da inteligência. Não necessita do uso dos sentidos para compreender e descobrir. Já reside nela a ciência da graça. Apenas seu corpo é jovem. Sua alma, visitada por miraculosas complacências, abre-se sobre horizontes divinos.

Quando de Maria se aproximou o Arcanjo Gabriel, trazendo-lhe a mensagem divina, assim no-la relata uma visão de Maria d'Agreda :

"O príncipe São Gabriel desceu do Empíreo acompanhado de milhares de anjos, qual deles mais belo. Trazia um diadema de singular esplendor, e suas vestes reluziam de cores diversas. E desceu em Nazaré onde se encontrava uma pobre morada. A divina Dama tinha então quatorze anos, seis meses e dezessete dias. 

Seu talhe ultrapassava o das outras jovens de sua idade, sua pessoa era agradável à vista, bem proporcionada, de rara beleza e perfeição.

Seu rosto era oval, os traços finos e delicados; de cor clara e algo morena, fronte larga e bem proporcionada, cílios em arcos, olhos grandes e modestos de colorido entre o negro e o verde escuro de incrível beleza e de um riso inocente, nariz unido e perfeito e boca vermelha e pequenina".

Assim em verdade devia ser Aquela que  de  tantos dons  foi  ornada por
Quem nela ia formar o corpo humano de seu divino filho.

Que mais belo templo poderia ser erguido a Deus que esse corpo e essa
alma de Virgem!

Que tabernáculo mais augusto que esse cibório que nenhum ouro da terra de longe poderia assemelhar-se!

Ante tanta beleza curvou-se também, como tantos outros no decurso dos séculos que o precederam, aquele que um dia, em Abril de 1813, foi receber o batismo em Santa Maria de Servi, em Milão, dias após seu nascimento. Sob o signo de Maria assim se iniciou a vida de Ozanam. Quantas vezes, certamente, dela lhe falou a mãe que de tanto carinho o embalara e de quem ele guardou sempre, longe em Paris ou depois que a morte lhe a roubou, tão doce recordação! É certo que assim foi pois que seu enlevo por Maria, nome que também o era de sua mãe, o levou, adolescente ainda, a consagrar-lhe os primeiros versos que brotaram de sua alma que a poesia embelezava.

A seu irmão Carlos Ozanam elevemos o encanto de haver conservado para transmitir à posteridade esse legado poético em que vibrava a alma de Frederico. Ainda em 1834 e 1835, em outros versos cantou Ozanam a beleza e a glória de Maria.

E quando,  em  Paris  reuniu seus amigos para com eles formar as Conferências de São Vicente de Paulo, foi nas mãos da Virgem que depositou suas esperanças de que vingasse a obra vicentina.

A data de 8 ele Dezembro, dia consagrado à Imaculada Conceição, passou a fazer parte das festividades mais caras da Sociedade incipiente, como penhor de seu futuro.

Mais uma vez revelou ele seu amor à Maria quando, ao abrir o coração a
seu amigo Dufieux, nessas confidências de que era tão pródigo quando a amizade lhe descerrava o silêncio dedicado ao estudo, assim se exprimia:

"Duas coisas de modo especial nos fazem palpitar, jovens cristãos, de generosa ambição: a ciência e a virtude. Havia resolvido que esses dois anos que me restam ainda passar em Paris seriam dedicados a trabalhos mais sérios e a uma reforma moral mais completa. E meu desejo, eu o coloquei sob os auspícios da Mãe Celeste".

Depois que seu lar cristão se formou, concedeu-lhe o Céu o presente de uma filhinha. E de novo se voltou seu pensamento para Maria, e o dela foi o nome que lhe deu. Esta notícia, tão do agrado de seu coração, transmitiu-a jubiloso a seu amigo Foisset :

"Que momento aquele em que ouvi o primeiro choro de minha filha, em que contemplei essa criatura pequenina, mas criatura imortal, que Deus depositava em minhas mãos! Com que impaciência vi chegar a hora do seu batismo! Damos-lhe, então, o nome de Maria, que também, era o de minha mãe, e em homenagem à excelsa padroeira a cuja intercessão atribuímos esse feliz nascimento!"

No seu viajar constante, a que o desejo de saber ou a saúde combalida o conduziam, extasiava-se sua alma quando lhe era dado visitar um templo consagrado a Virgem. A Igreja de Milão em que fora batizado, a Casa de Loreto, a catedral de Burgos, o santuário de Nossa Senhora de Buglose, nas proximidades do local que tanto também lhe falava de Vicente de Paulo o santo de suas Conferências: a igreja de Nossa Senhora de Fourviere, em sua tão querida Lião, todos estes santuários e tantos outros aos quais ia levar suas homenagens e suas súplicas a Maria, foram marcos que lhe deixaram traços indeléveis na vida.

Encontrando-se nas vizinhanças  de  Livorno, quando já as fôrças lhe faltavam e sentia que seus dias iam findar, quis, mais uma vez, dirigir-se à igreja dessa localidade. Festejava, então, a Igreja a festa da Assunção. Insistiu com a esposa, que mandava vir uma carruagem, em ir a pé. "Será talvez, lhe disse, meu último passeio neste mundo. Quero que ele seja para visitar o meu Deus e a sua Mãe". E Ozanam conseguiu realizar, não sem sofrimento para o corpo mas com júbilo imenso a inundar-lhe o coração, o sublime desejo. Foi assim que assistiu pela última vez o sacrifício da Missa. E sua alma toda penetrou no mistério augusto de um Deus na renovação perene de seus sofrimentos para que pudesse a humanidade livrar-se do próprio sofrimento.

Não lhe foi dado festejar na terra a proclamação do dogma da Imaculada Conceição feita em 1854 por aquele Papa, que ele tanto admirou e que tão paternalmente o abençoou: Pio IX. Esta festa ele a assistiria no Céu.

A 8 de Setembro de 1853 deixou Ozanam o mundo cuja beleza ele amara, trocando-a por outra, infinitamente mais bela.

Veio colher-lhe a Virgem que nesse dia celebrava seu aniversário. E Ozanarn lhe ofertou o presente que mais precioso lhe era: a própria vida.

                                                              Cfd.  JOÃO PEDREIRA DUPRAT



¹) Artigo publicado na Circular Periódica do Conselho Metropolitano de São Paulo, por ocasião do 1º CENTENÁRIO DA PROCLAMAÇÃO DO DOGMA DA IMACULADA CONCEIÇÃO!
1854 - 1954.